14 de jun de 2013

A Geração “Pen Drive” no Áudio


Realmente a tecnologia chegou com força no mercado do áudio. Aliás, não é mais nenhuma novidade trabalhar com cenas salvas em diferentes consoles digitais. Vivemos em épocas de grandes modismos e nem quem está a margem de tanta inovação ou quem a domina deve ser execrado. Existem dois lados dessa moeda tão questionada atualmente.

Os comentários são diversos. Uns com fundamento e outros sem pé nem cabeça. Logo no começo, quando a moda era andar com o dito pendrive balançando no pescoço que nem chocalho de boi, existia o mito que “na minha mesa ninguém bota pendrive” se não for formatado. O grande medo do dono era que a mesa pegasse um “vírus” e mal sabia que o sistema que rodava em sua mesa era particular e que vírus de outro sistema não poderia afetá-lo. Outro problema era apagar a mesa todinha com o Recall de uma cena externa. Percebo que pra uma locadora é interessante sempre ter seus consoles bem livres destes preset´s e fazer backup sempre que necessário. Participei de festivais com 3 consoles diferentes no PA por exemplo  e todas as bandas chegavam com seus “pendrives” e faziam seus shows. Como eu também tinha o meu, não custava nada ter o backup do evento.

Daí então foi surgindo mais consoles, possibilitando até a galera a gravar o áudio do seu show em dois canais e ver a comédia depois... hehehehe... Entre outras coisas legais. Já vi várias vezes acontecer comigo e com alguns amigos técnicos, tipo Tiba (Aviões) uma galera pedindo nossas cenas pra que  em cima delas fizessem  as cenas de sua banda. Apesar de achar que cena é como escova de dente, cada um com a sua. Mas eu ainda vi gente com boa fé e apenas estudava os preset´s e montava seu setup de acordo com sua necessidade. Mas essa de que o som vai melhorar por que está com a cena do fulano... Comprem-me um bode...!  

Aconteceu também um dia que o pendrive me deixou na mão faltando 10 minutos pra começar o show. Bom, ainda bem que preservei na minha cabeça que o menos é mais e minhas cenas não eram tão complicadas que não pudessem ser feitas com rapidez, pois não sentia a necessidade de tanta coisa no meu preset. Isso me ajudou muito naquele dia. Os presets ajudam muito a quem trabalha numa estrada de muitos shows e com pouco tempo pra passagem de som. Imagine ai os festivais hoje com tantas bandas. De certo modo, os festivais sempre aconteceram com muitas atrações, mesmo na época das mesas analógicas, onde víamos House´s que mais pareciam outro palco de tanta mesa que tinha em cima.

Com a baixa no preço do pendrive, me bateu a ideia de ter um pra cada mesa. Não por conta de problemas entre as cenas estarem no mesmo pendrive, mas por organização e segurança também. Além disso tudo, eu levo  minhas cenas em backup espelhado no HD e Dropbox, sendo este último muito interessante.

Usar a tecnologia a seu favor e nunca deixar de ter o pé no chão como sempre disse meu amigo e guru Marujo (Maurisérgio). Converso muito com o amigo e hoje chefe(hehehe) Sandro Levi que é outro que respeita muito o avanço tecnológico sem perder a essência. Isso sim faz diferença no teu trabalho.

Outro dia estava num teatro montando um sistema para um artista nacional e não sabia se o técnico tinha cena do console que disponibilizávamos entre os quais ele pedia no rider. Peguei uma cena inicial e fiz apenas a nomeação dos Patchs, para facilitar a vida do companheiro e me admirei com o que ouvi. “Não precisava amigo, você não vai me tirar o barato que é poder montar meu show desde o começo, vai?”  Caímos na risada e vimos o quanto é legal realmente poder começar do zero.

Sei que o assunto é extenso e que muitos que estão na estrada tem algo legal pra relatar. Mas gostaria, contudo de deixar uma reflexão para vocês amigos:

“Se o som que você quer fazer não está dentro da tua cabeça, num pendrive é que ele não vai estar.”


Carlos Rossy,

Bulidor de Bilotos em
Fortaleza-CE

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