2 de set de 2009

O ritmo que movimenta milhões

(Do Portal O Povo Online, Dalviane Pires) - Tudo começou na década de 90. A música nordestina de raiz, aquela em que o zabumba e acordeom eram os donos da festa, foi aos poucos dando passagem para o forró como um negócio. Hoje, o ritmo movimenta quantias milionárias no Estado.

“Madrugada entrando
E o fole gemendo
Poeira subindo
E o suor descendo”
(Luiz Gonzaga e Luiz Ramalho)


Se o rei do baião, Luiz Gonzaga, estivesse vivo, certamente estaria vendo de forma “amoada” a transformação que o forró sofreu a partir da década de 90. É que a música nordestina que o Gonzagão tanto propagou é hoje ficha miúda diante da formação de grandes grupos de forró que atraem, a cada festa, milhares de pessoas, formando uma cadeia produtiva milionária com geração de emprego e uma renda distribuída de forma pouco democrática. Com base no relatório “Arranjo Produtivo do Forró em Fortaleza”, coordenado pelo doutor em Economia e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jair do Amaral Filho, O POVO mostra como é distribuída a riqueza gerada pelo forró, a organização dessa cadeira produtiva e os segredos para que uma banda faça sucesso.

Através do relatório, Jair reforça a larga difusão do forró no Brasil como gênero musical, entretenimento e relação social. “Reivindicá-lo como produto de uma localidade seria um exagero cultural. No entanto, após a realização da pesquisa ficou claro que o epicentro da ‘indústria musical do forró’ se localiza em Fortaleza”, pontua o coordenador complementando que o próprio ambiente da cidade, que é turística e com vocação para o entretenimento, facilita a consolidação dessa indústria.

Negócio
O forró como negócio surgiu com o empresário Emanuel Gurgel. Foi com ele que as festas - na época tímidas e restritas às classes mais populares quando se tratava de forró - ganharam status de shows e tiveram o público multiplicado e diversificado no que diz respeito às classes sociais. A partir de então, outros empreendedores passaram a ver no forró um modo interessante para ganhar dinheiro. O forró hoje é business, fazendo cair por terra a ilusão de que bastava um punhado de bons músicos e boa vontade para fazer um hit estourar nas rádios, garantindo assim o sucesso necessário parar lotar casas de shows.

Pelo relatório, Jair argumenta que o sistema produtivo do forró em Fortaleza entendido como indústria musical, apesar de relativamente recente, impressiona pela presença de uma grande quantidade de agentes, pelas interações produzidas, pelo espaço ocupado na mídia, pelos mercados conquistados dentro e fora do Ceará, e pelo volume de emprego e renda gerados. “Não há dados sistematizados capazes de informar sobre a dimensão quantitativa nem sobre sua importância na economia local, mas existem alguns indicadores que podem sugerir pistas a serem seguidas no sentido de começar a montar um sistema de contas para essa atividade econômica e cultural”, pontua Jair.

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