6 de out de 2009

Computador & Compositor

Software compõe sozinho peças de música erudita

Um programa de computador que pode escrever complexas obras de música erudita, que não parecem "melodias de robô". Essa é a novidade apresentada cientista David Cope, professor das universidades da Califórnia-Santa Cruz, EUA, e de Xiamen, na China. Batizado de Emily Howell, o mecanismo, desenvolvido a partir de técnicas de inteligência artificial, tem seu próprio estilo musical e vai muito além das simples composições eletrônicas habituais.

Abastecido com uma coletânea de trabalhos musicais, o programa criou, a partir deles, sua própria maneira de compor. Segundo o cientista, o estilo de Emily seria uma mistura de todos os estilos, um som parecido com o de compositores clássicos contemporâneos. E, o mais interessante, Emily consegue modificar suas composições a partir de sugestões, verbais ou musicais, dadas pelo expectador.

A idéia de utilizar inteligência artificial partiu de uma crise de criatividade do próprio cientista, que também é músico. Cope não conseguia terminar uma ópera, então, um amigo sugeriu que ele criasse um programa que o ajudasse a finalizá-la. Assim nasceu o projeto Experiments in Music Intelligence (EMI), o predecessor de Emily Howell, na década de 80.

O programa analisava as composições feitas anteriormente por Cope em busca de padrões pequenas assinaturas musicais que só ele teria e os reproduzisse em novas formas, seguindo o estilo do autor. Além de terminar sua ópera, o pesquisador utilizou o EMI para analisar e produzir novas peças de gênios da música clássica, como Mozart, Beethoven e Bach.

Os projetos receberam várias críticas do meio artístico por tentar reproduzir a capacidade de criação do homem. "Muitos músicos, acadêmicos ou compositores, acreditam que a criação musical é apenas de natureza humana, e, de alguma forma, este programa de computador ameaça este aspecto único de criação humana", explica Cope.

Em seu próximo trabalho, um livro, o cientista vai além: defende que a música é uma ciência matemática. Além da acústica e dos sons, uma composição envolveria a teoria dos jogos, indo, portanto, muito além da inspiração. "Para mim, música e programação estão tão ligadas quanto se possa imaginar. Quando estou compondo, estou programando. Quando estou, programando estou compondo", disse o cientista ao site Ars Technica.

Polêmicas à parte, Emily irá lançar um CD, pela Centauro Records, nos EUA. Suas composições serão interpretadas por músicos humanos. Algumas das peças criadas pelos programas EMI e Emily Howell podem ser ouvidas pelo atalho

http://tinyurl.com/EmilyMusic

Fonte: Geek

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